Catalina Gomez, Coordenadora da Rede em Rio de JaneiroQuando a infraestrutura não é suficiente: Os desafios do transporte público no Rio

Catalina Gomez, Coordenadora da Rede em Rio de Janeiro

Segundo Rio Como Vamos, a insatisfação dos cariocas com a mobilidade e o transporte público da cidade vem crescendo nos últimos anos. A mais recente pesquisa da Rio Como Vamos foi feita em 2013 previamente aos protestos de Junho. Para compreender aquela insatisfação coletiva é importante conhecer melhor as condições do sistema de transporte público da cidade para identificar suas fraquezas e potenciais soluções.

Iniciemos com o metrô. Embora ele tenha sido inaugurado faz quase 35 anos atrás e apresente um atendimento médio de 650 mil pessoas durante um dia útil, ele está subutilizado. Por exemplo, ele tem só 35 estações em quanto o de São Paulo, tem 62 e aquele de Buenos Aires tem 86. Também existem queixas constantes sobre a superlotação, contribuindo a percursos incômodos e inseguros.

A Prefeitura reporta que perto de seis por cento dos passageiros da cidade é transportada pelo metro, enquanto os ônibus transportam 70 por cento da população com uma frota de 9 mil veículos. As vans transportam perto de 17 por cento da população. Mais o principal problema com os ônibus e vans é que eles têm que compartilhar as limitadas ruas com automóveis particulares. Só nos últimos três anos o número de carros na cidade aumentou em 225 mil. Preocupações adicionais incluem a insegurança dos percursos noturnos e os tempos de espera. Especificamente com o novo BRT, embora ele tenha sido bem recebido pelos cidadãos, ainda apresenta desafios de melhora incluindo a redução da superlotação, a falta de ar acondicionado e ventilação e acessibilidade adequada da frota.

Num evento recente do Rio Como Vamos, o Secretario de Transporte, Carlos Osório falou que "2013 será o pior ano para o transito, face às 92 intervenções sendo realizadas". Aquelas obras temporárias esperam se converter em melhoras de longo prazo para a cidade, incluindo a expansão do metro para a zona sul do Rio, melhoras nos elevadores e outras reformas que favorecem a acessibilidade nas estações do metrô, além da incorporação de novos trens para reduzir os intervalos de serviço. A cidade também vai a implantar um conjunto de câmaras para monitorar em tempo real o sistema de ônibus e garantir mais seguridade durante os percursos noturnos e conseguir identificar problemas recorrentes e soluções pertinentes.

Embora Rio seja considerado uma cidade com um sistema de transporte bem estabelecido e completo, sua infraestrutura e respetiva operação é inadequada. Algumas soluções no curto prazo incluem o desenvolvimento de medidas de manutenção mais eficientes nas estações, trens e ônibus da frota municipal. Outras soluções mais complexas e de logo prazo incluem a redução do uso do carro particular, por meio da incorporação de taxas especiais de uso. Outras ações de longo prazo que precisam ser debatidas mais amplamente incluem o dimensionamento do transporte e a mobilidade do Rio como um tema metropolitano, não municipal. Este debate é chave para assegurar os recursos e o gerenciamento adequado do sistema.

Foto: Severino Silva