Empatia e colaboração para a transformação
Andréa Azambuja, Coordenadora da Rede em Curitiba
Curitiba, 27 septiembre 2016
O cenário político atual do Brasil, marcado pela corrupção e pela falência dos processos democráticos, tem sido marcado, também, como era de se esperar, pela repressão e pelo silenciamento das vozes que ousam sugerir ou demandar mudanças. Felizmente, existe um movimento contrário à punição e à omissão, que aposta na integração e na escuta como ferramentas básicas para a construção de um país melhor. Em Curitiba, um representante deste movimento é a Sociedade Global, organização da sociedade civil que se ampara na empatia, na cocriação e na experimentação – princípios das metodologias do Design Thinking – para formar agentes da transformação.

A Sociedade Global foi fundada em 2009 para promover ambientes de aprendizagem (cursos, programas de desenvolvimento, workshops) com foco em inovação e impacto social. Desde o começo dos encontros, além do grande potencial dos cidadãos empenhados em ressignificar o seu entorno, outra coisa ficou clara: as inúmeras lacunas nos espaços de participação política da cidade – processos como audiências públicas, consultas e conferências eram limitadas, e as tomadas de decisão eram centralizadas. Em função disso, a equipe do sociedade construiu, então, uma metodologia própria de participação e impacto sistêmico, mais complexa e de longo prazo, que começou a experimentar no último ano na campanha Todos Fazem Parte.
"Todos fazem parte dos desafios, todos fazem parte das soluções" é o mote da campanha, que busca integrar os diversos agentes de Curitiba – da comunidade às autoridades – para que todos, trabalhando colaborativamente, consigam transformar a realidade da capital. Para isso, oferece inúmeras ferramentas, organizadas num percurso de dez passos que compreendem três etapas de ação: articular, mobilizar e transformar.
Em linhas gerais, a metodologia da Sociedade Global começa com a construção de um diagnóstico colaborativo – que inclui a realização de análises, pesquisas benchmarking, de campo e grupos de escutas – para o entendimento das urgências da cidade, dos principais desejos dos cidadãos, dos grupos já atuantes por alguma causa, de soluções já construídas e, sobretudo, de maneiras para a criação de pautas coletivas.
Após a sistematização dos dados colhidos, é realizado um Evento de Análise Sistêmica, onde são traçadas as diretrizes da próxima etapa – ou seja, os temas que serão priorizados. A partir disso, é dado início a um processo de mobilização para a cocriação de soluções, momento em que diversos segmentos da sociedade se unem para criar projetos e coordenar esforços para sua implementação em pequena escala. Sistematizadas, as soluções postas em prática dão origem a um portfólio de protótipos funcionais, viáveis e integrados, para serem disseminados, replicados e acelerados em larga escala.
Cerca de 400 pessoas já participaram das ações da Todos (hoje, na fase de cocriação de soluções), realizadas digitalmente, em intervenções nas ruas e em encontros presenciais, promovidos em diferentes espaços da cidade, com o apoio de mais uma centena de parceiros – ONGS, universidades, startups, institutos, coletivos… Inicialmente, as atividades foram amparadas por investimentos da Sociedade Global, de parceiros e com o auxílio de voluntários – boa parte motivada pelas redes sociais – mas, ao longo do projeto, foram desenvolvidos mecanismos de mobilização de recursos (campanhas de crowdfunding, workshops no estilo “pague quanto puder/achar justo”...), que devem garantir a sustentabilidade da iniciativa.
O sistemas só mudarão se as pessoas dialogarem, somarem esforços e agirem com o coletivo. Aí um dos grandes trunfos da campanha: seu potencial de mobilização e integração. E, a partir disso, de pressão dos tomadores de decisões, para que também façam a sua parte – mas a partir da realidade da ponta e de soluções com um nível de qualidade diferenciado, cocriadas com a participação dos diretamente envolvidos. Close.
Foto: Oficina de cocriação com cidadãos da cidade
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Empathy and cooperation for transformation
Andréa Azambuja, Curitiba Community Manager
Curitiba, 27 September 2016
The current political scenario in Brazil, marked by corruption and failure of the democratic processes has been marked, too, as was to be expected, by the repression and the silencing of voices that dare to suggest or demand changes. Fortunately, there is a counter movement that focuses on integration and listening as basic tools to build a better country. In Curitiba, a representative of this movement is Sociedade Global, a civil society organization that bases its actions in empathy, co-creation and experimentation – principles of Design Thinking methodologies – to form agents of transformation.

Sociedade Global was founded in 2009 to promote learning environments (courses, development programs, workshops) focusing on innovation and social impact. Since the beginning of the meetings, in addition to the great potential of citizens committed to reframe its surroundings, one thing was clear: the numerous gaps in political participation spaces of the city – processes such as public hearings, consultations and conferences were limited, and decision making was centralized. As a result, the company's team built their own – more complex and long-term – methodology of participation and systemic impact, which began last year experimenting in the Todos Fazem Parte campaign.
"All are part of the challenges, all are part of the solutions" is the motto of the campaign, which seeks to integrate the various Curitiba agents – from the community to authorities – for all, working collaboratively, to transform the capital’s reality. To this end, it offers numerous tools, organized in a route of 10 steps, that comprise three action steps: articulate, mobilize and transform.
In general, Sociedade Global’s methodology begins by building a collaborative diagnosis – which includes analysis, benchmarking research, field research and consultation groups – to understand the city's emergency, the main desires of the citizens, active groups already working for some cause, solutions already built and, above all, ways to create collective agendas.
After the systematization of data collected, a Systemic Analysis Event is conducted, where the guidelines for the next stage are drawn, which are the topics that will be prioritized in that moment. From there, a mobilization process is initiated for the co-creation of solutions when various segments of society come together to create projects and coordinate efforts to implement them on a small scale. Systematized, the solutions put in place give rise to a portfolio of functional prototypes, viable and integrated, to be disseminated, replicated and accelerated on a large-scale.
About 400 people have participated directly in the campaign (now in the co-creation of solutions phase), performed digitally, in interventions on the streets and in person meetings, promoted in different areas of the city with the support of over a hundred partners – NGOs, universities, startups, institutes and collectives. Initially, the activities were supported by investments from Sociedade Global, partners and with the help of volunteers – often motivated by social networks – but over the months, resource-mobilization mechanisms have been developed (crowdfunding campaigns, for example), which should ensure the sustainability of the project.
The system will only change if people engage in dialogue, add up efforts and act with the collective. Then, one of the great advantages of "Todos" is its potential for mobilization and integration. And from that, for pressuring the decisions makers to do their part – but from the reality lived by citizens and solutions co-created with the participation of those directly involved.
Close.
Photo: Co-creation workshop with citizens of the city
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