Catalina Gomez, Coordenadora da Rede em Rio de JaneiroMais atenção para os "Nem-Nem": Jovens que nem estudam, nem trabalham

Catalina Gomez, Coordenadora da Rede em Rio de Janeiro

Os "Nem-Nem" são jovens entre 15 e 24 anos que nem estudam, nem trabalham, nem procuram emprego. Segundo dados do último censo, Brasil tem mais de 5 milhões de "Nem- Nem" no seu território, com grande concentração nas áreas urbanas. Rio atualmente tem mais de 150 mil "Nem-Nem"; preocupa que aquela população cresceu em 30 mil entre 2000 e 2010. Quais são as causas deste fenômeno? E quais são as respostas da cidade para enfrentar aquela situação?

Uma causa do fenômeno "Nem-Nem" é a desigualdade e a pobreza. A grande maioria da população carente urbana não tem oportunidade de receber educação de qualidade e porem fica desmotivada e descomprometida dos estudos. Não surpreende que as maiores taxas de abandono escolar sejam entre as populações de baixa renda.

Outro assunto relevante com implicações de gênero e igualdade, são as altas taxas de gravidez adolescente. Muitas das jovens que ficam grávidas interrompem os estudos e a procura de emprego por em quanto cuidam dos filhos. Mais o maior problema, além das implicações da maternidade adolescente, são as consequências negativas da falta de treinamento e experiência na procura de emprego, ficando cada vez mais complicada sua integração no mercado de trabalho.

Algumas das soluções têm sido propostas pela Secretaria Municipal de Educação, que esta ativamente no processo de melhora da qualidade da educação fundamental e segundaria, tentando priorizar as áreas de maior concentração de pobreza e vulnerabilidade. Algumas das ações de melhora da qualidade educativa têm a ver com a melhora dos quadros de professores e das sessões educativas com foco na aprendizagem e as aulas práticas. As Escolas do Amanhã, que tem sido destacadas no URB.im também contribuem na melhora da qualidade da educação nas áreas carentes e violentas da cidade.

Outra resposta importante, especialmente relacionada com aqueles adolescentes com filhos que ainda estudam o procuram emprego, é o aumento da cobertura de creches públicas para crianças de 0-3 anos, que passou de 7 por cento para 21 por cento entre 2000 e 2011. Este é um aumento significativo, mais ainda é preciso um esforço muito maior.

Nas escolas públicas, também existem esforços na melhora da educação sexual, incluindo mais troca de informação entre os jovens e mais dialogo aberto e guia profissional. Embora estes esforços, ainda é preciso ampliar as campanhas educativas e saúde pública para atender as jovens vulnerais e evitar que as meninas vulneráveis sejam a nova geração de "Nem-Nem".

Foto: Secretaria Municipal de Educação de Rio de Janeiro