Exportando o conhecimento em politicas sociais e promovendo maior cooperação entre países
Catalina Gomez, Coordenadora da Rede em Rio de Janeiro
Recentemente Brasil tem-se tornado uma referência internacional em politicas e programas sociais devido a seus resultados importantes na redução da pobreza e na geração de oportunidades para as populações mais vulneráveis. Programas como Bolsa Família, o esquema de transferências de renda que beneficia a mais de 13 milhões de famílias, além do Programa de Aquisição de Alimentos, que tem contribuído na redução da insegurança alimentar por meio de iniciativas de agricultura familiar, são alguns dos principais programas de interesse para outros países.
Para atender a necessidade de cooperação técnica entre países e promover a experiência brasileira em temas de politicas e programas sociais, o Ministério de Desenvolvimento Social, a instituição do governo federal que lidera as iniciativas de erradicação da miséria no país, organiza reuniões periódicas e troca de experiências com vários representantes de distintos governos. Especificamente para Bolsa Família, o MDS providencia informação detalhada sobre a legislação do programa e sobre temas chave como o registro único de programas sociais e esquemas de implantação local que envolve a participação ativa dos municípios. Com referencia ao Programa de Aquisição de Alimentos, o MDS compartilha vários modelos de promoção da agricultura familiar em áreas remotas.
Atualmente, uma grande parte das solicitudes de assistência técnica vem dos países Africanos, e tanto o Bolsa Família como o Programa de Aquisição de Alimentos, são os dois programas que mais chamam a atenção das contrapartes deste continente. A Ministra de Desenvolvimento Social, Tereza Campello, tem mencionado recentemente em Addis Abba durante o seminário "Novas abordagens unificadas para erradicar a fome na África até 2025" que "a cooperação Sul-Sul e os países da África têm prioridade para o Brasil". Por este motivo o MDS esta juntando esforços com o Instituto Lula (liderado pelo próprio Ex-presidente Lula) para facilitar a troca de alto nível e assistência técnica para países africanos. Por exemplo, já está em curso o "Programa de Aquisição de Alimentos África" que esta sendo testado em Níger, Malavi, Moçambique, Senegal e Etiópia com apoio técnico do governo brasileiro e o financiamento do Programa Mundial de Alimentos.
Com referência à assistência técnica no desenho de esquemas de transferência, muitos países tem expressado conhecer o contexto local de implantação além das condições no nível nacional. Por esta ração cidades como Rio de Janeiro são amplamente visitadas para conhecer seus próprios esquemas de erradicação da pobreza. Rio também é de interesse para muitos países e cidades pelos outros programas complementários bem sucedidos de urbanização, moradia e transporte público que beneficiam a população de baixa renda.
Brasil tem passado de ser um país que apenas recebia ajuda internacional a ser um “exportador” de conhecimento de politicais sociais. Ele tem se tornado num país influente não só na Cooperação Sul-Sul, mais também na "Cooperação Sul-Norte", com varias comissões de Suécia e os Estados Unidos interessados na sua assistência. Neste sentido, faz uns anos atrás México e Brasil foram chamados pelo prefeito Michael Bloomberg na assessoria no desenho e implantação de um esquema de transferência para a população carente de Nueva York. Com este tipo de colaboração, estão mudando as dinâmicas de cooperação entre países e cidades?
Crédito fotográfico: Instituto Lula
