Catalina Gomez, Rio de Janeiro Community ManagerEmpoderamento dos trabalhadores domésticos por meio de legislação adequada, salario justo e aceso a informação

Catalina Gomez, Coordenadora da Rede em Rio de Janeiro

Os trabalhadores domésticos são um grupo bem importante no mercado laboral, especialmente para Ásia e América Latina. Este grupo de trabalhadores inclui governantas, cozinheiros, babás, faxineiros, motoristas particulares e jardineiros, entre outros. Vários países em desenvolvimento apresentam uma histórica ausência de reconhecimento formal a estes trabalhadores, contribuindo ao estabelecimento de horários de trabalho não regulamentados, carência de salários justos e de proteção social.

O Brasil tem o maior número de trabalhadores domésticos do mundo. De acordo com o relatório da Organização Mundial do Trabalho existem 7,2 milhões de trabalhadores domésticos no país, dos quais 6,7 são mulheres (93 por cento do total). O Governo Brasileiro tem reportado que destes trabalhadores um numero cerca de 1,5 milhões estão formalizados o que significa que tem carteira de trabalho assinada e alguns benefícios, como licença médica. O 80 por cento restante ainda não tem registro adequado e benefícios.

Mais a partir de Março 2013 a situação vai a mudar com a aprovação e efetividade da emenda constitucional que assegura aos domésticos direitos iguais aos demais trabalhadores. Alguns dos direitos estabelecidos para os trabalhadores domésticos incluem: jornada de trabalho de 44 horas semanais, com limite de oito horas diárias, pagamento de horas extras e o reconhecimento dos acordos coletivos de trabalho. Outros benefícios previstos, mais que ainda precisam de regulamentação até o próximo Julho incluem: o salário-família, auxílio-creche para filhos de até cinco anos, seguro-desemprego e contribuição para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), que hoje é opcional.

Embora seja cedo para estabelecer os impactos da emenda constitucional, é possível estabelecer alguns possíveis efeitos positivos e negativos. Dentro dos efeitos positivos, vale destacar que para uma grande parte dos trabalhadores está é uma oportunidade para finalmente receber salários justos. Outro efeito positivo é a possibilidade da criação de sindicatos e grupos de apoio na defensa dos direitos coletivos. Só no passado mês seis grupos foram estabelecidos, sendo três deles do Rio de Janeiro. Um possível efeito negativo poderá ser a alça nos serviços domésticos gerando demissões e redução de dias trabalháveis para minimizar os custos dos serviços aos empregadores.

Com referencia ao trabalho de empoderamento ao trabalhador doméstico ao nível local, vale destacar o papel desempenhado por Doméstica Legal no Rio de Janeiro, uma empresa provedora de serviços jurídicos e financeiros a empregadores. Esta foi criada em 2004 para apoiar aos empregadores no cumprimento da legislação referente ao emprego justo. A empresa também oferece uma pagina na internet e aulas focadas nos trabalhadores domésticos para eles conhecer seus direitos e deveres, além da legislação local, destacando a importância da assinatura de contratos formais com seus empregadores. Em 2009 Doméstica Legal criou uma ONG com o mesmo nome para apoiar o desenvolvimento do marco regulamentário em favor dos trabalhadores domésticos no país e continuar os esforços pelo seu reconhecimento e formalização.

Crédito fotográfico: Marcello Casal Jr. e Ana Paula Viana