Catalina Gomez, Curitiba Community ManagerAmplo conhecimento das comunidades de baixa renda em Curitiba

Catalina Gomez, Coordenadora da Rede em Curitiba

A discussão desta semana sobre processos de mapeamento destaca o trabalho de Curitiba e sua metodologia de mapeio das comunidades beneficiadas pelos programas de melhoria de bairros. Aquele processo está liderado principalmente pelo governo local; as comunidades participam também mais com um papel de verificação de informação e apresentação de sugestões. Para algumas pessoas esta é uma abordagem de "cima para baixo"; para outras, existe um valor importante no amplo conhecimento das comunidades carentes por parte da Prefeitura e do papel fundamental dos assistentes sociais nas comunidades. Qual é sua opinião?

Similar a Rio e São Paulo, Curitiba, vem implantando programas de urbanização de favelas faz vários anos com o objetivo de melhorar as condições físicas e sociais dos bairros mais carentes da cidade. Estas iniciativas são lideradas pela Companhia de Habitação Popular de Curitiba (COHAB), responsável pela política e as intervenções de habitação da cidade.

Segundo estudos recentes sobre programas de melhoria de bairros no Brasil, existem duas etapas chave na fase inicial do melhoramento; a primeira é a definição das comunidades que serão intervindas assegurando que sejam apropriadas ambiental e economicamente para melhora continua; a segunda é o aprofundamento das condições de vida dos bairros que serão intervindos para assegurar que suas necessidades sejam tomadas em conta.

1. A escolha das áreas de intervenção é liderada pela COHAB em coordenação com a Secretaria Municipal de Planejamento e a Fundação de Ação Social (FAS). O trabalho conjunto destas instituições assegura uma melhor coordenação da todas as instituições envolvidas na melhoria de bairros. Estas instituições determinam os critérios de seleção das comunidades, considerando o orçamento disponível e critérios técnicos como as condições ambientais e sociais das áreas estudadas.

2. O mapeio das áreas de intervenção também é liderado pela COHAB, que conta com varias fontes de informação para aprofundar seu conhecimento das áreas de intervenção. Algumas destas fontes incluem a última versão do censo que tem boa informação de assentamentos informais. A FAS também gera informações estratégicas, por exemplo, com o Cadastro Único de Programas Sociais pode gerar mapas de concentração de pobreza na cidade. FAS também administra dados que permitem o mapeamento da infraestrutura e serviços sociais, tais como os postos de saúde, as escolas, os centros de referencia de assistência social, entre outras facilidades.

Embora todas estas informações disponíveis sejam atualizadas e relativamente adequadas, ainda falta a conexão com as pessoas. Por isso, COHAB, junto com a FAS e ONGs locais envolvem as comunidades desde as etapas iniciais para que elas mesmas complementem o mapeamento e confiram as informações coletadas. O principal vínculo entre o governo local e a sociedade civil são os trabalhadores e assistentes sociais da COHAB e da FAS, que operam continuamente nas comunidades. Eles asseguram que os diversos membros das comunidades estejam bem informados de todas as etapas do processo de melhoramento do bairro e facilitam o dialogo para que suas sugestões sejam escutadas durante todo o ciclo de projeto.

Foto: COHAB