Catalina Gomez

 
Redes locais no combate à violência contra as crianças

Catalina Gomez, Coordenadora da Rede em São Paulo

 

Assegurar que as crianças e adolescentes tenham seus direitos assegurados e protegidos de qualquer forma de violência deveria ser uma prioridade de todos os países. Neste sentido, Brasil vem fazendo vários esforços que envolvem a parceria entre o governo e a sociedade civil, nos níveis nacionais e municipais.

Um dos esforços mais importantes no reconhecimento dos direitos das crianças e adolescentes tem sido a aprovação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) em 1990. O ECA é um conjunto de normas que detalham os direitos das crianças e identificam os protocolos de atenção nos casos de violência, delinquência e justiça de menores.

Baseado no ECA, as autoridades brasileiras tem criado uma rede pública de proteção ás crianças e adolescentes de qualquer forma de violência, abuso e negligencia. O ponto focal desta rede é o Conselho Tutelar, uma entidade descentralizada e autônoma, encarregada pela sociedade de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente. Segundo a lei, cada município deve ter pelo menos um conselho em funcionamento.

O ECA também detalha que cada Conselho Tutelar esteja conformado por cinco membros eleitos pela comunidade a cada três anos. Os conselheiros são posições pagas que requerem de conhecimento dos direitos das crianças. Aquele arranjo promove a participação da sociedade civil, incluindo líderes comunitários e representantes de ONGs que tem bom conhecimento de suas comunidades e suas necessidades.

São Paulo tem vários arranjos para responder á violência contra as crianças, incluindo 44 Conselhos Tutelares localizados no todo seu território. O mandado destes conselhos é coordenar esforços entre o governo e a sociedade civil em torno aos direitos das crianças. Alguns dos principais órgãos que trabalham na rede são a policia, a Secretaria Municipal de Assistência Social e o Ministério Público.

A cidade também tem 26 Centros de Referencia Especializada da Assistência Social (CREAS), que tem como objetivo providenciar assistência de meia e alta complexidade para as crianças e famílias vitimas de violência e abuso. Para aquelas crianças que tem sido vitimas, os CREAS providenciam conselheiros e referencia a abrigos temporários públicos sem custo.

Bem, temos a rede e a oferta de serviços públicos que atendem casos de violência. Mais existe muito trabalho pela frente. Por exemplo, ainda é preciso gerar uma parceria mais sólida entre o governo e a sociedade civil na prevenção e atenção da violência contra as crianças. Também é uma prioridade treinar, capacitar e conceder pleno reconhecimento aos membros do Conselho Tutelar nas suas funções. Finalmente é preciso gerar maior conhecimento e compreensão sobre as varias dimensões da violência contra as crianças e suas causas para dar respostas mais eficientes e integrais.