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São Paulo: Coletivos agindo!
Eliana Barbosa, Coordenadora da Rede em São Paulo
Sem dúvida há muito que esperar para São Paulo em 2014. A abertura da copa, as mudanças na mobilidade, a aprovação do plano diretor, o dilema do mercado imobiliário — será uma bolha? — todas as questões acima poderiam ser tópicos para discutir no ano que vem.
Entretanto, o fato extraordinário em 2013 que pode mudar o modo como vivemos a cidade é o seguinte: As pessoas estão provocando mudança. Muito foi dito sobre as manifestações de junho e seu impacto no que diz respeito a conscientização política, cidadania, participação e o surgimento de uma nova geração de ativistas. Nota-se cada vez mais o surgimento de grupos independentes transformando o espaço da cidade com suas próprias mãos e meios.
De acordo com a pesquisa "Ativismo Online: 2013 o ano do Brasil," esse foi o ano que mostrou aumento histórico dessa forma de ativismo no país. Campanhas de sucesso foram capazes de mudar micro-realidades, chamando atenção para causas locais. Ao contrário das caras campanhas mundiais das grandes organizações — como a Greenpeace e o WWF — a tendência atual se refere à escala do cotidiano. Habitantes descobriram nas petições online um canal para participação popular.
Interessante o fato de que as causas relacionadas ao planejamento urbano ganharam mais impacto. Foram capazes de alterar decisões institucionais através de pedidos específicos, pressionando as autoridades locais. Um exemplo interessante é a petição organizada pelo coletivo Ocupe & Abrace, que conseguiu evitar a derrubada de 30 árvores para a implementação de corredores de ônibus na zona oeste.
O que nos leva a outro tópico digno de nota para o próximo ano: os Coletivos. É impressionante a quantidade de coletivos relacionados a mobilidade, espaços públicos e cultura que se formaram nos últimos anos. Coletivos são grupos de pessoas que, através de uma causa ou interesse em comum, juntam-se agindo para mudar a letargia da participação pública pelos meios oficiais. A Cidadania e o Direito à Cidade revigoram-se com essas nova forma de olhar a cidade. De muitos exemplos interessantes, destaco três:
Baixo Centro, com seu delicioso slogan "As ruas são para dançar," começou como um grupo de produtores culturais ao redor do Minhocao, promovendo, através de financiamento coletivo, eventos e intervenções urbanas nos espaços públicos na região.
O movimento Boa Praça é um grupo que se reúne com o objetivo de revitalizar as praças da zona oeste da cidade. Apenas em 2013 eles trabalharam em dez praças, através de eventos abertos, nos quais pessoas podiam plantar árvores, construir mobiliário urbano e compartilhar um picnic numa praça local, o que — na "cidade dos muros" — já é uma grande conquista.
Recentemente, um grupo decidiu transformar um estacionamento em Parque Público. Terreno marcado como parque desde o Plano Regional de 2004, a área nunca foi desapropriada. Em novembro o lote foi comprado pela maior incorporadora da cidade, para o desenvolvimento de um empreendimento de uso misto. Após apelar para a prefeitura, sem sucesso, o Grupo Parque Augusta começou trabalhar na área, criando uma programação diária de atividades, que culminou num festival para 4000 pessoas. O Parque Augusta tornou-se, pelas mãos dos próprios habitantes, uma realidade.
Como outras organizações, esses coletivos são abertos, não-institucionalizados e horizontais, Organizados virtualmente, promovem atividades culturais financiadas coletivamente, chamando atenção para os debates urbanos, promovendo mudanças reais em lugares específicos da cidade. Tudo feito apesar da vontade política, das verbas públicas e da burocracia que envolve os canais formais de participação.

