Ocupando os espaços públicos
Um dos principais problemas do brasileiro nas cidades é a sua falta de responsabilidade sobre os espaços públicos. Na nossa cultura, a rua, seu entorno e seus equipamentos urbanos pertencem a esfera pública e, por isso, é quem deve cuidar da manutenção, limpeza e segurança. Empresas e organizações podem optar por "adotar" um espaço, mas por lei isso significa transferir toda a responsabilidade da Prefeitura para a instituição.
No Brasil, é visível o movimento de diferentes grupos que estão tentando mudar essas regras. Os coletivos criam novas formas de interagir com o espaço público e melhorá-lo, dividindo essa responsabilidade com outros moradores, outros coletivos e com o próprio governo e empresas. Esses grupos possuem uma postura mais ativa e propositiva sobre a cidade e estão experimentando novas soluções e formas de uso dos espaços públicos.
Por exemplo, o Coletivo Ocupe & Abrace formado no bairro Vila Pompeia em São Paulo. O grupo decidiu revitalizar a Praça Homero Silva, que estava abandonada por falta de manutenção e segurança. A Praça possui uma grande área verde, dividida em quatro níveis e conta com três nascentes do Córrego Água Preta. Os moradores do entorno sempre esperaram por soluções do poder público e, por isso, nada foi feito.
O coletivo decidiu criar atividades na praça, gerando motivos para as pessoas a utilizarem. Começou com um Festival, com músicos da região, arte urbana, piquenique colaborativo, feira de orgânicos, apresentações de dança, intervenções de artes, aulas de taichichuan e cursos ligados ao meio ambiente. A partir disso, foram criadas atividades semanais e mensais permanentes na praça e o segundo Festival, com quase mil participantes ao longo do dia. "Isso pode ser feito? Não é contra a lei?" Essas são as primeiras perguntas feitas ao coletivo, que espera que as pessoas parem de se questionar e criem novos usos para os espaços públicos abandonados.
Foto: Festival da Praça da Nascente
Occupying Brazilian public space
One of Brazil's main problems regarding city engagement is related to Brazilians' lack of responsibility for public space. In our culture, the street and its surrounding elements are a government issue. Therefore, they have the responsibility to care of, clean, secure, and maintain all public spaces. Companies and organizations can also take ownership if they choose to adopt a public space, and then by law, that means taking on all such responsibilities.
Different groups in Brazil are trying to change this perception by creating new forms of interaction, and to improve public space themselves with the help of other citizens, groups, the government, and companies. These groups have a more active and propositve attitude, using the city's surroundings to experiment with new solutions and forms of utilizing public space.
In São Paulo, one good example is a group called Coletivo Ocupe & Abrace (Occupy & Hug) from the Pompeia Neighborhood. The group decided to revitalize a public square that had been abandoned by local citizens. The square has a four level area, with lots of green space and three hidden water springs of the Água Preta's river. Because of the lack of security and cleanliness, it wasn't being used. The local residents had been waiting for some solution from the public sphere, but nothing was ever done.
This group decided to create engaging activities and give citizens reasons to return to that space. It started with a festival with local music artists, street art, collaborative picnics, organic food, dance presentations, art interventions, taichichuan lessons, and environment courses. It led to weekly and monthly activities at the square, and the second festival had almost a thousand people attending. "Can it be done? It's not against the law?" Those are the first questions citizens asked the group. Ocupe & Abrace hopes that in the future, Brazilians will think less about such questions and more about creating better uses for abandoned public spaces.
Photo: Festival da Praça da Nascente
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